A cada 4 produtos que eu compro no açougue do Pão de Açúcar, eu tenho que trocar um porque tá estragado. Isso porque eu gasto um bom tempo escolhendo algo de aparência razoável no meio de carnes marrons com a gordura amarela escuro, ou tão velhas que parecem cozidas. E essa ainda é a melhor média da região. No sacolão "chique" aqui ao lado, a média era de 1 troca a cada 2 compras e eu cheguei a ser informado para não comprar as carnes embaladas (que todos compram) se quisesse levar algo fresco. Ontem, no mesmo sacolão, tinha uma daquelas pastas de ervas com um enorme mofo verde em cima. Eu avisei o vendedor e quando voltei duas horas mais tarde a travessa ainda tava lá, o mesmo mofo verde, e já tinham vendido mais de um quilo dela.
Dizem que as coisas evoluiram, que descobriram novos métodos de conservação, transporte e armazenamento cada vez mais eficazes (como a pré-embalagem e o "resfriamento" de carnes), que fazem os produtos durar muito mais e que é tudo mais seguro, etc.
Mas eu realmente não lembro de meus pais indo ao supermercado trocar produtos estragados com a mesma frequência das compras. E também não lembro de passar pela via crucis que é hoje a busca por carnes boas para um churrasco, por exemplo.
Parece que toda a "evolução" ficou do lado de lá do balcão, prolongando a capacidade de armazenamento e diminuindo o custo para o supermercado, enquanto nós, do lado de cá, ficamos expostos a produtos cada vez piores, mais velhos e mais caros.